A maior comunidade de Rabelados vive actualmente em Espinho Branco. As habitações
são muito simples e os Rabelados recusam símbolos de modernidade como rádio
ou televisão. Dedicam-se principalmente à agricultura, à pesca e ao artesanato.
Os actos religiosos são realizados aos sábados ou domingos. Nesses dias não
trabalham, percorrem grandes distâncias a pé até aos locais de culto e jejuam
até meio da tarde. Os Rabelados tendem a desaparecer, à medida que a geração
mais velha vai morrendo. Os mais novos afastam-se das tradições religiosas e
não já não encontram sentido nas práticas dos seus antepassados. O chefe da
comunidade, Nho Agostinho, morreu em 2006. O actual líder é Moisés Lopes Pereira.
A comunidade em Espinho Branco é composta por cerca de 2 000 pessoas. Recentemente
houve alguma abertura ao exterior e estudos sobre esta comunidade. Júlio Monteiro
escreveu Os rebelados da ilha de Santiago de Cabo Verde (Centro de Estudos de
Cabo Verde, 1974). No ano 2004 foi gravado um um CD com os cânticos religiosos
dos Rabelados, que inclui temas tradicionais raramente interpretados por outros:
Cânticos sagrados de Cabo Verde - A litania dos Rabelados (Abidjan/Quintalvideo).
A pintora Misá também tem trabalhado na divulgação da cultura e tradições da
comunidade, tendo levado pintores Rabelados, a participar na ARCO, Feira Internacional
de Arte Contemporânea de Madrid, em Fevereiro de 2007, apesar da polémica sobre
o envolvimento da artista plástica.
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