Nasceu em S. Vicente, Cabo Verde a 2 de Outubro de 1953, foi emigrante em Basileia Suíça de 1974 a 1985 onde frequentou a escola de Belas Artes ( Kunst gewerbe Schule).
Actualmente mora e trabalha em Mindelo na ilha de S. Vicente, Cabo Verde.

Existo, logo pinto
Deus só deu aos doutos a idéia do complexo para eles não abusarem demasiado do simples, que é um dom dos humildes. Carlos Alberto Silva Figueira despiu-se bem cedo do Carlos Magno nome, deixou o principado ao outro, quis ser simplesmente silva em Basileia, deu Figueira aos filhos, e sagrou-se por ter dado ao Mundo um pintor Humilde chamado Tchalê, seis letras apenas para um nome que o alfabeto já resulta pequeno.
Quando o vejo pesado como um mamute, mas leve como um bambino, embriaga-me uma outonal sensação de que o meu compadre é como um juramento de pequenote, juro , juro pintar com a profundidade e a sinceridade com que uma criança fala com Deus.Tchalê pinta como um astrónomo louco, fá-lo parar para descobrir os outros traços do universo. E quem pinta com tamanha dimensão é porque cedo soube que não ambiciona fazer da pintura una leitura do mundo, mas propor com a pintura um mundo de leitura. De certo modo, a vida tal como a vemos é como um quadro de Tchalê: a diferença é que o quadro é real, a vida ilusória. Por isso ele não usa mais cores além das sies com que Deus coloriu o Mundo ( branco e negro à parte, porque essas viriam os homens criar ).
Se existe algo que ainda e sempre pode salvar o Planeta humano é a simplicidade, e nesta prática Tcahalê vai à frente. Quem cria, traça; quem executa, declara.
Texto de Mário Lúcio
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